Muito mais do que gerir a limpeza dos edifícios, administrar um condomínio equipara-se a gerir uma empresa, envolvendo áreas como a gestão administrativa, de recursos humanos ou de assuntos de carácter jurídico. Isso mesmo salienta o gestor da Loja do Condomínio de Ponta Delgada, que já soma 15 anos de actividade. Em entrevista ao nosso jornal, Luís Faria fala do desafio que é trabalhar “num sector desregulado”, onde “ainda impera a economia paralela”, mas garante que o percurso da empresa tem sido de crescimento, apesar de se assistir a uma estagnação no sector da construção e à entrada de novos ‘players’ no mercado.  
Alexandra Narciso

Diário dos Açores – A Loja do Condomínio (LDC) está a celebrar 15 anos de actividade em Ponta Delgada. Como surge a presença da empresa na ilha de São Miguel?
LF – A LDC inicia-se em São Miguel em 2004. Enquanto concorrente, pois iniciei esta actividade com a marca Servimóvel, mantive uma atenção especial na LDC, pois este franchising teve uma grande penetração no mercado a nível nacional como também a nível regional. Passados alguns anos, com o crescimento e experiência tive oportunidade de integrar a rede de franchising LDC, que me permitiu continuar a crescer e sobretudo a manter o rigor de serviço pretendido e cada vez mais exigido pelos condóminos.  

Que tipo de serviços oferecem?
LF – Considerando as diferentes necessidades dos condomínios, a LDC oferece quarto níveis de serviços: o Plano Simples (só administração); o Plano Base (administração + limpeza); o Plano Total (Administração + limpeza + manutenção); e o Plano Total Plus que acrescenta aos serviços anteriormente apontados o médico ao domicílio, LDC24 (serviço de assistência 24h/365 dias), seguro de protecção jurídica, seguro multirriscos das partes comuns e de incêndio raio e explosão da totalidade do edifício.  

Quais os desafios que encontra na gestão da empresa?
LF – Acabámos de passar por uma fase de integração de todos os nossos clientes da Servimóvel na LDC. A integração de uma estrutura com cerca de 160 edifícios num novo sistema informático e uma nova filosofia de procedimentos foi um processo demorado e trabalhoso. Apesar de ter sido uma fase de turbilhão a nível administrativo agora já está concluído. De realçar que nos últimos dois anos fomos distinguidos com o Prémio de Excelência.  

Significa que soubemos fazer. No entanto, sinto que temos ainda algo a melhorar a nível da gestão da manutenção. A nível administrativo somos desafiados periodicamente pelas auditorias internas do master e anualmente pela auditoria de Certificação da SGS.  

De forma geral, o nosso grande desafio passa por oferecer a cada dia que passa mais e melhor serviço aos condóminos. Mas o maior desafio de todos é o de trabalhar num sector desregulado, e onde ainda impera a economia paralela, obrigando a um esforço imenso no sentido da autorregulação e da transparência.  

Estamos a falar da habitação da maioria das famílias portuguesas, da manutenção e requalificação de um parque urbano imenso, muito dele com mais de  

30 anos, e onde o administrador de condomínios tem um papel fundamental na sua gestão, e principalmente na execução de um conjunto de acções que permita que o investimento que as famílias fazem na sua habitação se mantenha, ou até possa crescer. Se aqui reside o maior desafio, também tem sido uma oportunidade no sentido de desenvolvermos um conjunto de estratégias e práticas diferenciadoras.  

Conseguir gerir e dar resposta aos pedidos dos vossos clientes é também um desafio?
LF – Além do pessoal administrativo, temos também três equipas de técnicos de manutenção que tentam socorrer as solicitações diárias. No entanto, algumas ocorrências necessitam da intervenção de outros prestadores de serviços que são subcontratados. Cabe aos nossos gestores de cliente articular as ocorrências diárias com as outras já programadas e que não podem parar. É um desafio constante trabalhar numa empresa de gestão de condomínios. As horas passam a voar.

O que envolve exatamente a gestão de um condomínio?
LF – Aos olhos de muitos a administração é a limpeza e fazer uma assembleia uma vez por ano. Mas gerir um condomínio pode ser comparada com a gestão de uma empresa que engloba áreas como: gestão administrativa, gestão de recursos humanos, gestão financeira, gestão de assuntos de caráter jurídico, gestão de manutenção, ou seja, tudo requer muita atenção e depende de condomínio para condomínio sendo sempre necessário muito acompanhamento e controlo. Por exemplo, o controlo dos recebimentos e pagamentos consome muito tempo, mas é algo que não é visível para o cliente.  

Existem pessoas a telefonar e a enviar e-mails constantemente que originam folhas de serviço que têm de ser verificadas e depois precisam de ser respondidas e/ ou resolvidas. Deve estar tudo bem documentado para poder prestar contas e esclarecimentos se algum cliente pedir. E há sempre alguém que pede esclarecimentos nem que seja dois anos depois. O nosso arquivo já parece a biblioteca pública e todos os dias surgem novas situações em que o estabelecimento de prioridades é uma constante.

Tendo em conta que existe a opção de se gerir um condomínio internamente, que vantagens traz para os condóminos recorrer a uma empresa especializada?  
LF – Não é por acaso que poucos são aqueles proprietários que querem gerir o seu edifício, e não é só pela falta de tempo.

Daí contratarem empresas que têm de resolver os problemas que vão surgindo e gerir as tensões. Se o seu vizinho for o administrador, você não vai bater à porta dele para ele mandar arranjar a porta ou mudar uma lâmpada? Uma empresa especializada terá um serviço de atendimento permanente para estas situações, mesmo fora de horas. Uma grande vantagem desde logo é a particularidade de evitar conflitos entre vizinhos, além disso, existem exigências actuais dos condóminos que um amador tem dificuldades em fazê-lo, por exemplo, relativas ao envio mensal dos Avisos de Cobrança por email, Meios de Pagamento das Quotas (MB, Payshop ou SDD), Apresentação de Contas, Contratação de Fornecedores, cumprimentos com a legislação em termos de manutenções e MAP, cumprimento com a legislação fiscal, etc.  

No mercado micaelense, a administração de condomínios é um serviço muito procurado? Os micaelenses preferem pagar a dedicar do seu tempo às questões do condomínio?  
LF – Julgo que as pessoas dão mais valor ao seu tempo com a família e amigos, e além disso, preferem manter a sua vizinhança sem conflitos. Diria até que existe um certo desinteresse em participar nos actos formais do condomínio. Gerir toda a diversidade que envolve um prédio, as fracções e os condóminos acaba por revelar-se um desafio muito maior do que, à partida, se possa pensar. A legislação é complexa e a variedade de temas com que se tem de lidar no dia-a-dia faz com que a função de administrador de condomínio seja, muitas vezes, um cargo indesejado pela maioria dos condóminos.

O conhecimento, a disponibilidade e a elasticidade exigidos a quem assume esta função levam a os condóminos a recorrer a este serviço.  

Tem vindo a aumentar ou a diminuir esta procura?  
LF – A construção de novos edifícios estagnou. Isto fez abrandar muito a procura. No entanto, ela continua a existir, mas provém de clientes que vão saltitando entre concorrentes ou condomínios que eram administrados por moradores.

Quantos condomínios gerem atualmente?
LF – São mais de 150 edifícios.  

Como tem sido a evolução da empresa ao longo dos anos? Tem havido um percurso de crescimento ou passaram por momentos de crise?
LF – Na verdade num mercado limitado/pequeno como o nosso, a entrada de novos players fez-se sentir mais do que a crise económica. Mas apesar de tudo tem existido sempre crescimento.  

Que balanço faz destes 15 anos de atividade?
LF – Alguns clientes e ex-clientes perceberam as várias fases na nossa empresa.  

Passamos por uma fase de empresa familiar, para uma fase de uma organização empresarial. Foram anos muito trabalhosos, pois o objectivo foi sempre melhorar.  

O caminho fez-se com recursos humanos, porque uma empresa com a dimensão da nossa não existe apenas com uma cabeça, tem de existir o tronco e os membros.  

Olhando para trás vejo que os melhores anos da nossa existência coincide sempre com os anos em que tivemos na nossa equipe os melhores recursos humanos.  

Com quantos colaboradores conta a Loja do Condomínio de Ponta Delgada?  
LF – Somos 19 postos de trabalho diretos para além os postos de trabalho indiretos.

Trabalham em parceria com outras empresas para assegurar os serviços?  
LF – Sem os nossos parceiros seria muito difícil prestar o serviço que pretendemos. Estas empresas parceiras têm de ser acarinhadas e evoluir em conjunto connosco, e isso exige esforço e compreensão. Não se pode brigar logo na primeira desavença.

Além de São Miguel, estão presentes onde?
LF – Estamos presentes na cidade do Porto, onde temos uma carteira com 44 edifícios.  

Na sua opinião, qual a chave para o sucesso e para a longevidade de uma empresa?
LF – Talvez o mercado reconheça que há valores de respeito e idoneidade que são básicos e que julgo que caracterizam a nossa empresa. Num mercado concorrencial perfeito todas as empresas poderão oferecer mais ou menos os mesmos serviços, no entanto, a grande diferença estará na forma com presta o serviço, ou seja, a diferença está na mão que entrega o serviço.

Para terminar, como olha para o futuro da LDC em Ponta Delgada? Há novos projectos ou investimentos em mente?
LF – Ao longo dos seus 17 anos de vida, a LDC tem sido também pioneira no lançamento de serviços únicos e diferenciados. Exemplo disso é a MyLDC – a primeira aplicação de suporte à administração de condomínios que, estando disponível em PlayStore ou Apple Store para Android e IOS, vem facilitar a gestão dos condomínios e revolucionar a forma de relacionamento entre o administrador e os condóminos. Totalmente gratuita e com um interface simples e intuitivo, a MyLDC permite que o condómino consulte toda a informação do seu condomínio, efetue um pedido ou aceda à referência MB para pagamento. Mas, para além disso, a LDC inova ainda com um sistema de facilitação de pagamento, que envolve o envio mensal dos avisos/recibos a todos os clientes e a disponibilização de formas automáticas de pagamento, bem como com um serviço de assistência LDC 24, disponível 24h por dia e 365 dias por ano, o médico ao domicílio para condóminos e familiares e uma vasta oferta de seguros. Mais recentemente temos também a possibilidade de enviar SMS`s a todos os nossos clientes de forma automatizada.  

in Diário dos Açores

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