Hoje, a gestão integrada é essencial para responder às necessidades reais dos condomínios. A criação do Caderno Digital do Edifício deve ser acompanhada por uma modernização capaz de reforçar a capacidade de resposta, a eficiência e a liberdade de escolha dos clientes. Um artigo de opinião assinado por Pedro Pinheiro, CEO da Loja do Condomínio.
A Loja do Condomínio (LCD) defende há vários anos o quão essencial é a revisão à legislação que regula o mercado da gestão de condomínios – um setor que mudou profundamente. Aquilo que, durante muitos anos, foi visto sobretudo como uma função administrativa (convocar assembleias, gerir quotas, pagar faturas, tratar de atas e assegurar obrigações legais) é hoje uma atividade muito mais complexa. Hoje, os condóminos procuram serviços integrados que assegurem uma capacidade de resposta rápida a problemas concretos: uma infiltração, uma falha elétrica, uma zona comum por limpar ou uma reparação adiada têm impacto direto no conforto, na segurança e na valorização do património.
A par, sabe-se que a escassez de prestadores é realidade em todo o país. A dificuldade em encontrar prestadores qualificados e disponíveis é sentida ao longo de todo o território nacional. Mesmo em zonas urbanas, muitos condomínios enfrentam atrasos, indisponibilidade, qualidade irregular ou preços pouco previsíveis quando procuram serviços externos de limpeza, manutenção, conservação ou pequenas reparações. Além disso, há casos em que simplesmente não existem alternativas disponíveis para determinados serviços. A dificuldade em encontrar prestadores qualificados e disponíveis é sentida ao longo de todo o território nacional.
Gestão integrada é a solução
A criação do Caderno Digital do Edifício reforça esta necessidade de modernização e de maior capacidade de resposta. Neste contexto, a gestão integrada de condomínios (em que, além da administração, o cliente pode contratar serviços complementares como limpeza, manutenção, conservação, pequenas reparações ou apoio técnico) surge como uma resposta natural às necessidades atuais dos edifícios e dos seus moradores. O ponto essencial é simples: este modelo deve ser uma opção, nunca uma imposição. Um condomínio deve poder escolher entre um plano simples de administração ou planos integrados, se entender que estes lhe oferecem mais eficiência, previsibilidade, comodidade e uma solução economicamente mais vantajosa. Tudo isto assente em três grandes princípios:
1- Menos complexidade, melhor serviço
Quem conhece a realidade dos condomínios sabe que a maioria dos problemas nestes espaços reside na execução: encontrar prestadores disponíveis, acompanhar intervenções, garantir prazos, validar a qualidade do serviço e corrigir falhas de forma rápida. Mas tudo isto exige tempo, disponibilidade e conhecimento. Se o condomínio tiver de articular diretamente vários fornecedores para cada necessidade, aumenta a dificuldade: mais contactos, mais esperas, mais deslocações, mais incerteza e, muitas vezes, mais custos.
Uma oferta integrada simplifica esta realidade. Permite organizar serviços relacionados de forma mais coordenada, reduzir duplicações e tempos mortos, melhorar a previsibilidade, assegurar uma resposta mais consistente e, em muitos casos, reduzir custos administrativos inerentes à gestão fragmentada de vários prestadores. Quem conhece a realidade dos condomínios sabe que a maioria dos problemas nestes espaços reside na execução: encontrar prestadores disponíveis, acompanhar intervenções, garantir prazos.
2- Eficácia comprovada em mercados europeus maduros
Na LDC acreditamos que a experiência confirma a necessidade. Em vários mercados europeus mais maduros (como o Reino Unido, a Alemanha, os Países Baixos e os países nórdicos), a articulação entre administração de condomínios e serviços operacionais é uma prática comum. Nestes mercados, a integração assenta em princípios claros: transparência contratual, aprovação pelos clientes e liberdade de escolha. Não substitui a decisão dos condóminos; acrescenta uma alternativa para quem valoriza uma solução mais simples, coordenada e eficiente.
Afinal, entende-se que administração, limpeza, manutenção e conservação fazem parte da mesma realidade quotidiana: garantir que o edifício funciona bem, que os espaços comuns estão cuidados, que os problemas são resolvidos e que o património é preservado. Quando estes serviços são pensados em conjunto, é possível planear melhor, atuar de forma mais preventiva, evitar custos de urgência e reduzir situações sem resposta por falta de coordenação entre intervenientes. A defesa da integração não pode ser confundida com falta de transparência. Pelo contrário: quanto mais completa for a oferta, mais clara deve ser a informação prestada ao cliente.
3- Transparência e liberdade de escolha
A defesa da integração não pode ser confundida com falta de transparência. Pelo contrário: quanto mais completa for a oferta, mais clara deve ser a informação prestada ao cliente. Os condomínios devem saber o que estão a contratar, quais os serviços incluídos, quais são opcionais, que níveis de resposta podem esperar e em que condições podem alterar a solução escolhida. O cliente deve poder comparar e decidir entre um plano simples de administração e diferentes planos integrados, com total clareza sobre o valor acrescentado de cada opção. Aliás, muitas empresas de administração de condomínios já oferecem hoje soluções integradas, direta ou indiretamente – e esta evolução surgiu porque os clientes procuram respostas mais completas e porque a gestão dos edifícios exige cada vez mais rapidez, qualidade, previsibilidade e eficiência económica.
A LDC defende que o futuro da gestão de condomínios deve passar por modelos flexíveis, capazes de acomodar realidades diferentes. Para alguns clientes, a melhor solução será uma administração simples. Para outros, será uma gestão integrada. Ambos os modelos são legítimos e devem poder coexistir.
No final, o objetivo deve ser simples: garantir que cada condomínio tem acesso à solução que melhor responde às suas necessidades. O papel das empresas é apresentar opções claras, responsáveis e competitivas. A decisão deve estar sempre onde pertence: nas mãos dos clientes.


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